A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na manhã desta terça-feira (2) a Operação Check-in, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos envolvendo contratos celebrados com a Prefeitura do Recife.
Segundo a PF, as investigações apontam para o possível pagamento de propina a um agente público do alto escalão da administração municipal por parte de uma empresa contratada para prestação de serviços terceirizados.
O caso chama atenção pelo volume de recursos envolvidos. Apenas em 2020, a Prefeitura do Recife repassou cerca de R$ 25,8 milhões à empresa investigada. Desse total, aproximadamente R$ 17 milhões tiveram origem em verbas federais.
As suspeitas surgiram a partir de documentos apreendidos durante a Operação Firenze. Entre os materiais recolhidos estavam talões e canhotos de cheques que, segundo a Polícia Federal, indicariam pagamentos indevidos ao agente público sob investigação.
Os investigadores também apuram se o esquema pode ter operado durante outros anos, já que a empresa mantinha contratos com a Prefeitura do Recife antes de 2020. Caso as suspeitas sejam confirmadas, o prejuízo aos cofres públicos pode ser significativamente maior do que o inicialmente identificado.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Recife, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. A operação mobilizou 32 policiais federais e dois auditores da CGU.
Os investigados poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de capitais.
A operação atinge um dos temas mais sensíveis da política pernambucana: o uso de recursos públicos em contratos milionários de terceirização. Embora a investigação ainda esteja em andamento e não haja condenações, a ofensiva da Polícia Federal aumenta a pressão sobre a gestão municipal e deve provocar forte repercussão no cenário político local.
Agora, as atenções se voltam para o avanço das investigações e para a identificação dos agentes públicos e empresários que teriam participado do suposto esquema. A expectativa é que as próximas fases da apuração revelem se os indícios encontrados representam casos isolados ou parte de uma estrutura mais ampla de favorecimento dentro da máquina pública.

