Pernambuco pode voltar a fazer história na política brasileira. Neste domingo (2 de agosto), o PSD oficializou, em convenção realizada no Recife, a candidatura da governadora Raquel Lyra a um novo mandato, mantendo ao seu lado a vice-governadora Priscila Krause. Se a dupla vencer as urnas em outubro, Raquel e Priscila se tornarão a primeira chapa majoritária 100% feminina a se reeleger para o governo de um estado na história do país.
Um feito que começou em 2022
A parceria entre as duas nasceu nas eleições de 2022, quando Raquel Lyra, então filiada ao PSDB, venceu a disputa contra Marília Arraes em segundo turno e se tornou a primeira mulher a governar Pernambuco. Ao seu lado estava Priscila Krause, jornalista e ex-vereadora do Recife, formando a primeira chapa majoritária inteiramente composta por mulheres a vencer uma eleição para governo estadual no Brasil.
O feito rompeu uma barreira histórica: de todas as unidades da federação, apenas um pequeno grupo de estados já havia elegido mulheres para o comando do Executivo — e nunca, até então, em uma chapa formada só por candidatas.
Por que a reeleição seria inédita
O Brasil já teve mulheres reeleitas governadoras antes, mas nenhuma delas à frente de uma chapa 100% feminina nas duas eleições consecutivas.
Roseana Sarney, do Maranhão, foi a primeira governadora a se reeleger no país, somando ao longo da carreira 12 anos e 11 meses no cargo em quatro mandatos, mas sempre com vices homens.
Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, é a segunda mulher a conseguir o feito: eleita em 2018 e reeleita em 2022, ela teve como vices o advogado Antenor Roberto no primeiro mandato e o deputado Walter Alves no segundo, ambos homens.
É justamente essa lacuna que Raquel e Priscila têm a chance de preencher. Caso vençam em outubro, a chapa pernambucana não apenas repetirá o ineditismo de 2022, como também se tornará a primeira dupla exclusivamente feminina a conquistar dois mandatos seguidos no comando de um estado brasileiro.
A confirmação da chapa
Durante o evento, Priscila Krause discursou destacando a continuidade do projeto político iniciado em 2022 e afirmou que a parceria com Raquel Lyra segue mais forte do que nunca.
O panorama nacional
O caso pernambucano se insere em um cenário ainda muito desigual: das 27 unidades da federação, a maioria nunca elegeu uma mulher para o governo estadual. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Amazonas jamais tiveram uma governadora eleita. Historicamente, boa parte das mulheres que chegaram ao comando de um estado o fez por meio da vice-governadoria, assumindo o cargo após a saída do titular, não pelo voto direto à frente da chapa.
Nesse contexto, a experiência de Raquel Lyra e Priscila Krause ganha um peso simbólico adicional: além de romperem a barreira em 2022, elas tentam agora consolidar essa conquista com uma reeleição, algo que nenhuma outra chapa exclusivamente feminina alcançou até hoje no Brasil.
O que vem pela frente
A palavra final cabe às urnas. Pernambuco terá eleição concorrida em outubro, com o ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB, surgindo como principal adversário de Raquel Lyra na disputa pelo governo do estado. Até lá, a chapa governista seguirá em campanha reforçando o discurso de continuidade da gestão iniciada em 2023.
Se confirmado nas urnas, o resultado marcará um capítulo inédito na política brasileira, não apenas pela reeleição em si, mas pelo simbolismo de uma parceria exclusivamente feminina se consolidando no comando de um dos estados mais importantes do Nordeste.

